<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059</id><updated>2012-02-16T18:57:07.482-08:00</updated><title type='text'>Joaquim Nobre</title><subtitle type='html'>A paixão pela palavra escrita</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-115930999649078757</id><published>2006-09-26T15:32:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:57.066-07:00</updated><title type='text'>Atalhos</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/inquietude.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Luto todos os dias contra a vontade de me ir embora.&lt;br /&gt;Aqueles momentos de paz e tranquilidade que imagino num lugar distante, parecem-me sempre impossíveis quando pesados os prós e os contras, como numa balança na qual um dos pratos tem a fuga e outro os valores éticos. O ponteiro coloca-se precisamente no meio. Para mal dos meus pecados não é aí que está a virtude.&lt;br /&gt;O meio é sempre um ponto zero para quem, como eu, fez a primeira parte do percurso, escolhendo os caminhos errados, trocando o certo pelo incerto, fazendo atalhos. Como diria a minha saudosa avó, quem se mete por eles mete-se em trabalhos.&lt;br /&gt;Hoje poderá ser o último dia do princípio da minha vida. Ou melhor da primeira parte.&lt;br /&gt;Como quem vai fumar um cigarro no intervalo de um filme.&lt;br /&gt;Momento zero.&lt;br /&gt;Como se isso fosse possível. Fazer um 'scandisk',escolher os 'files' que não interessam e mandar tudo para a 'reciclagem'. Revê-los na esperança de alguma coisa que ainda valha a pena e apagar o que não interessa num 'delete' definitivo e irreversível.&lt;br /&gt;Que bom seria...&lt;br /&gt;Nesta convulsão que me assola a cabeça olho subitamente para a minha mão e reparo que ainda me falta uma passa das doze. Um ritual patético que se faz todos os anos. Não me lembro que onze desejos pedi.&lt;br /&gt;Provavelmente nenhum.&lt;br /&gt;Sobrou uma. Nunca me perdoaria não cumprir uma promessa. Seria aliás impossível.&lt;br /&gt;De repente dou conta que mesmo no pressuposto do tal 'delete', haveria afinal um ficheiro inacessível. Um bip estridente e a mensagem de 'access denied'. Um ficheiro que guardava, solidariedade, paixão, amizade, livros, lágrimas, sofrimento, arrebatamentos, sei lá o que mais...&lt;br /&gt;Desculpa lá avó, mas afinal existem atalhos pelos quais vale arriscar.&lt;br /&gt;Coloco lentamente a última passa na boca.&lt;br /&gt;Não podia ter passado melhor o ano.&lt;br /&gt;Joaquim Nobre&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-115930999649078757?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/115930999649078757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=115930999649078757&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/115930999649078757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/115930999649078757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2006/09/atalhos.html' title='Atalhos'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113918063518656732</id><published>2006-02-05T15:02:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:57.005-07:00</updated><title type='text'>A Valsa das gramíneas</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/graminea2.gif" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Olho em baixo o centeio bailando ao som do vento. Pareceu-me uma valsa. Lento, alegreto, alegro, num compasso de três por quatro, o centeio valsava naquele espantoso lugar onde o tempo vive à parte, muito lentamente.&lt;br /&gt;Na elegância desse convite à valsa, insinuante e provocador, aquela visão das bailantes gramíneas trouxe-me um corpo de mulher visto na sua nudez. A mesma macieza, o mesmo desabrigo convidando a carícia e por momentos apelando à precipitação naquele vale profundo e conciliador das cordilheiras.&lt;br /&gt;Subi e desci, ora em baixo ora em cima, suspenso de quando em vez na contemplação dos planaltos até o arrebatamento final, no assomo de novos horizontes.&lt;br /&gt;E foi aí que fiquei, na saciedade do depois, na sensação indizível do fim que não termina, que se prolonga para além do prazer, infindável como a linha do horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Nobre&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113918063518656732?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113918063518656732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113918063518656732&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113918063518656732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113918063518656732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2006/02/valsa-das-gramneas.html' title='A Valsa das gramíneas'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113148697636860520</id><published>2005-11-08T13:54:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.945-07:00</updated><title type='text'>O Lama do Peru</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/lamaperu.gif" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Roberto Iza Valdes said... &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Libertad es el derecho que todo hombre tiene a ser honrado, y a pensar y a hablar sin hipocresía. En América no se podía ser honrado, ni pensar, ni hablar. Un hombre que oculta lo que piensa, o no se atreve a decir lo que piensa, no es un hombre honrado. Un hombre que obedece a un mal gobierno, sin trabajar para que el gobierno sea bueno, no es un hombre honrado. Un hombre que se conforma con obedecer a leyes injustas, y permite que pisen al país en que nació lo hombres que se lo maltratan, no es un hombre honrado....Hay hombres que son peores que las bestias, porque las bestias necesitan ser libres para vivir dichosas: el elefante no quiere tener hijos cuando vive preso: la llama del Perú se echa en la tierra y se muere, cuando el indio le habla con rudeza, o le pone más carga que la que puede soportar. El hombre debe ser, por lo menos, tan decoroso como el elefante y como la llama. &lt;br /&gt;--&lt;em&gt;&lt;strong&gt;José Martí y Pérez&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************&lt;br /&gt;Ainda a propósito da interpelação acerca do direito à opinião não resisti a partilhar este comentário que recebi ao meu último texto.&lt;br /&gt;Por aqui o conceito da honorabilidade não é entendido nessa perspectiva, e muitas vezes até confundido com notoriedade.&lt;br /&gt;Esta linda metáfora do escritor e político cubano José Martí y Perez, sensibilizou-me.&lt;br /&gt;Mas até podia ser contada em «quíchua» no idioma mais remoto ainda utilizado na terra do lama, ou em qualquer outra lingua nativa da Selva Amazónica porque seria porventura ainda mais bela.&lt;br /&gt;De repente lembrei-me de Sepúlveda e do «velho que lia romances de amor».&lt;br /&gt;Obrigado pelo comentário!&lt;br /&gt;Adorei a evocação de José Martí y Perez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J.Nobre&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113148697636860520?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113148697636860520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113148697636860520&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113148697636860520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113148697636860520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/11/o-lama-do-peru.html' title='O Lama do Peru'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113080414941405204</id><published>2005-10-31T16:14:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.884-07:00</updated><title type='text'>Pôr ou não a cabeça no cepo</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/cepo.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi no contexto de uma análise ao momento político aquando das eleições autárquicas que me propus escrever um pouco sobre o cenário do concelho onde moro.&lt;br /&gt;Escrevi na altura e muito antes da contagem dos votos que era por demais previsível o seu resultado.&lt;br /&gt;Aliás a estratégia da força mais capaz de assumir a alternância, também o previa no seu mote de campanha. Por extrema ironia e face a essa previsibilidade, não lhes ocorreu melhor ideia do que apelar à coragem dos eleitores. &lt;br /&gt;Para além da evidente fragilidade da escolha, a que chamei o doce sorriso da mudança, a estratégia acabou por se tornar um tiro no próprio pé, valorizando quem o não merecia, deixando escapar a ideia subliminar que a mudança não era emergente, necessária e desejável.&lt;br /&gt;A não ser, e julgo não ser o caso, haja em Oliveira um qualquer deficit democrático que torne essa saudável alternância inatingível e parece-me evidente não ser preciso assim tanta coragem para o desejo de mudança.&lt;br /&gt;É esta a resposta que se me oferece, perante uma altercação que não provoquei, e que lamento ser apenas por mim assinada.&lt;br /&gt;Meu caro amigo e anónimo interlocutor, criar este post, resultou muito mais do meu gosto pela palavra escrita, mesmo quando ela se torna incómoda, do que pela intervenção política, área para a qual não me sinto particularmente vocacionado. Mesmo respeitando a ideia romântica de que a política também se materializa na opinião e noutras atitudes quotidianas, deixo por respeito à honestidade, o seu exercício para os mais capazes.&lt;br /&gt;Pôr a cabeça no cepo, ignorando esse valor, como infelizmente muito acontece por aí, não só precisaria de coragem, como seria a mais imbecil das ambições.&lt;br /&gt;Tivessem todos os candidatos a mesma decência e estaria o concelho bem melhor.&lt;br /&gt;Termino com a certeza de que nunca me faltará a coragem no momento da escolha, quando surgir alguém a quem reconheça qualidades para tirar Oliveira do Hospital do marasmo em que mergulhou nos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim Nobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113080414941405204?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113080414941405204/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113080414941405204&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113080414941405204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113080414941405204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/10/pr-ou-no-cabea-no-cepo.html' title='Pôr ou não a cabeça no cepo'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113080403921657669</id><published>2005-10-31T16:09:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.826-07:00</updated><title type='text'>Nova interpolação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anonymous said... &lt;br /&gt;Caro amigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não questionei, não questiono, nunca questionarei a sua relação com o trabalho, como pode depreender da minha mensagem.&lt;br /&gt;Continuo no entanto, com a mesma liberdade e civilidade que o caracteriza, a pensar que quem não está satisfeito com o rumo dos acontecimentos tem o dever, e por ventura a obrigação de os alterar, e em relação ao caso a que nos referimos só existe uma alternativa - "pôr a cabeça no cepo", ou seja assumir a sua disponibilidade, reunir uma equipa e definir um projecto.&lt;br /&gt;Depois, democraticamente, o povo decidirá, como aliás tem feito desde o 25 de Abril.&lt;br /&gt;Melhores cumprimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113080403921657669?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113080403921657669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113080403921657669&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113080403921657669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113080403921657669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/10/nova-interpolao.html' title='Nova interpolação'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113028438326255107</id><published>2005-10-25T16:52:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.767-07:00</updated><title type='text'>A minha resposta ao anónimo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porque não me disponibilizo?&lt;br /&gt;Provavelmente por decoro.&lt;br /&gt;Não fosse sentir-me inábil para tão nobre missão de servir o povo, utilizando a sua expressão, até me poderia tentar a tão grande veleidade. Acontece que tenho consciência dos meus próprios limites, ao contrário de muitos. E isso contraria a suposta superioridade com que me mimoseia.&lt;br /&gt;Lembro o meu caro interlocutor anónimo que quando me sinto doente vou ao médico, o que não me impede de saber quando necessito de o fazer.&lt;br /&gt;Não precisamos de ser doutos para ter espírito crítico, capacidade de observação, direito interventivo, com civilidade como é aliás meu atributo.&lt;br /&gt;E é precisamente o reconhecimento desse direito, a melhor forma de mostrar respeito pelos outros. &lt;br /&gt;O povo que elege quem se arvora de o servir merece essa consideração, senão que sentido teria o voto?&lt;br /&gt;Retribuo os cumprimentos, mas com uma ligeira diferença de estilo.&lt;br /&gt;Chamo-me Joaquim Nobre e também trabalho.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113028438326255107?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113028438326255107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113028438326255107&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113028438326255107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113028438326255107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/10/minha-resposta-ao-annimo.html' title='A minha resposta ao anónimo'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-113028427631850572</id><published>2005-10-25T16:50:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.708-07:00</updated><title type='text'>Quem és tu romeiro?</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/ninguem.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;«Comentário de um anónimo ao meu post «Mais do mesmo»&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto é mais fácil falar do que fazer.&lt;br /&gt;Mas porque é que um ser tão diferente, tão superior, não se disponibiliza para servir o povo e levar o concelho para o topo, seja lá o que for esse conceito na sua mente.&lt;br /&gt;Ás vezes dava tudo para ver certas pessoas, que não sabem senão "botar abaixo" com responsabilidades, para depois poder aferir da sua real capacidade.&lt;br /&gt;respeite os outros. respeite quem trabalha.&lt;br /&gt;Melhores cumprimentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-113028427631850572?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/113028427631850572/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=113028427631850572&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113028427631850572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/113028427631850572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/10/quem-s-tu-romeiro.html' title='Quem és tu romeiro?'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-112803428045855937</id><published>2005-09-29T15:49:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.653-07:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/voto.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Oliveira é seguramente uma das terras onde a competência mais se tem afastado do poder emergindo no inevitável circo politiqueiro local, as figuras mais inesperadas. Todos sabemos que gerir os destinos de uma autarquia sem um projecto estratégico, com tanta parcimónia e falta de ideias, os níveis de exigência para se apresentar uma potencial alternativa não serão muito elevados, mas é francamente constrangedor, a pobreza das novas propostas para tentar interpolar este marasmo habilmente iludido pelo actual edil que se tornou mestre na arte do nada.&lt;br /&gt;Dir-me-ão que aqui não é muito diferente de outras autarquias, que a maioria dos autarcas não tem qualquer experiência para o cabal desempenho desse importante cargo e será mesmo inútil enfatizar que os concelhos do interior são ainda os mais necessitados de propostas realmente inovadoras, porque também são, para mal dos nossos pecados, os mais vulneráveis à cabotinagem política.&lt;br /&gt;Ficam para já os lugares comuns, os out-doors, hoje mais acessíveis pelo crescimento das novas tecnologias, a vacuidade das mensagens, a vaidade dos protagonistas, mas acima de tudo a triste perspectiva de mais do mesmo.&lt;br /&gt;Quando será que os eleitores serão capazes de ignorar as hábeis e insidiosas técnicas de imagem no momento das urnas? Hoje tais habilidades nalguns casos indecorosas e risíveis, ainda elegem autarcas, mas tenho muita esperança que o futuro tudo mude e que por exemplo, o auto elogio dos proponentes se torne a mais grotescas das estratégias.&lt;br /&gt;Nessa altura serão os eleitores a classificar os autarcas de competentes! Por ora basta que eles se afirmem como tal.&lt;br /&gt;Para os que dizem por aí que não votam por falta de alternativas, poderá ser essa, a atitude mais inteligente. Sou dos que advogam que não votar também é intervir, mas sobretudo exprimir uma vontade. E já pensava assim muito antes do nosso prémio Nobel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-112803428045855937?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/112803428045855937/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=112803428045855937&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112803428045855937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112803428045855937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/09/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-112724615289646787</id><published>2005-09-20T12:55:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.588-07:00</updated><title type='text'>Coragem para mudar</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/rosa.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Há uns tempos atrás, os mais atentos recordar-se-ão, a audácia ficou mais longe do poder, quando teve o atrevimento de usar um insulto à boa maneira do PREC. Linguagem abusiva e desajustada aos nossos tempos que acabou por eleger a ponderação como o critério mais natural para o perfil do melhor candidato.&lt;br /&gt;O sorriso é hoje a doce imagem da mudança. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É de facto preciso muita coragem para mudar, mesmo quando essa mensagem está acompanhada de um belo sorriso. É que mesmo ao lado repetem-se em grandes dimensões auto-elogios capazes de fazer morrer de inveja o mais mediático dos candidatos. Competência, honestidade, trabalho... Valores inquestionáveis, e expostos assim, em grande formato, relidos todos os dias enquanto contornamos as rotundas ou esperamos o verde dos semáforos, só por manifesta má vontade não acreditamos. É aquela velha ideia de que uma mensagem várias vezes repetida se torna uma verdade absoluta.&lt;br /&gt;Corro o risco de ser mal entendido mas não consigo evitar o pensamento que o avanço feminino, como alternativa no apelo do poder, faz todo o sentido num concelho como este, onde as grandes ideias se resumem ao adorno. Não hesito nem um segundo em admitir que qualquer mulher saberá muito melhor prosseguir esse grande desígnio autárquico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-112724615289646787?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/112724615289646787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=112724615289646787&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112724615289646787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112724615289646787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/09/coragem-para-mudar.html' title='Coragem para mudar'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109546990105574103</id><published>2005-09-19T18:08:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:50.940-07:00</updated><title type='text'>Novamente o boletim e a saudade do Outono</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/oliveira.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;( escrito em  19/09/2004 )&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prefiro os dias outonais, em que as folhas rodopiam em círculos por entre as estátuas e os bancos dos jardins, ao vazio quente dos tristes dias estivais de Oliveira do Hospital.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma terra onde resistem ao descuido, sinais de identidade e história que nos conduzem à nostalgia. Indeléveis sinais de outra cidade, de outros tempos, com outros protagonistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prefiro o Outono em Oliveira, pela sensação do regresso ao escuro, que a meu ver a favorece e lhe confere a sua verdadeira essência. O cheiro a chuva, a escuridão prematura, os silêncios, a evocação do antigo, o convite à poesia, tudo me ajuda a esquecer o marasmo a que votaram esta terra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinais destes tempos, em que as grandes ideias autárquicas se resumem a um jardim, uma praia fluvial, um calcetamento, uma fonte. Oliveira desliza numa letargia enfeitada com flores, uma passividade extrema, sem acontecimentos nem expectativas, mas exemplar no adorno e na requalificação dos espaços.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Requalificar, reconstruir, repensar... O tal prefixo que pressupõe repetição e no contexto das minhas reflexões disfarça a incapacidade de fazer novo, construir ou mesmo pensar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema nem é tanto a ideia do refazer melhorando, como é bom exemplo o esforço em repor a dignidade perdida a espaços tão belos como Avô. Grave é não fazer, triste é a sensação desconfortante de ver um concelho deambular num deserto de ideias, entregue a um destino incerto, sem a expectativa de nada de novo. Particularmente quando assistimos bem perto, por um lado à enorme vitalidade na criação de novos espaços que proporcionam eventos, por outro mesmo, a capacidade de os realizar: Feiras Internacionais, concertos sinfónicos, torneios desportivos internacionais, teatro de qualidade e dimensão nacional, exposições dignas desse nome, certames que resistem às dificuldades da conjuntura, etc...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São os espaços que proporcionam os eventos e nunca o contrário. Mas para isso é preciso criá-los e isso talvez seja pedir muito a uma gestão autárquica tão parcimoniosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, a inércia, quando dela se tem consciência, pode muito bem tornar-se uma inteligente estratégia da incompetência. De facto &lt;strong&gt;quando nos habituamos a não esperar muito, qualquer irrelevância se torna, pelo inesperado, uma grande obra&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez isso explique tudo ou então socorrendo-me de Eduardo Prado Coelho quando evoca Duras, e fala acerca do seu fascínio pela passividade extrema e pelas personagens que não agem e se deixam expor na pura exaltação de existirem. Na mitologia da escritora, escreve Prado Coelho, seres assim têm na passividade uma força imensa, sendo mais enérgicos pelo que não fazem do que pelo que poderiam fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez resida aí o segredo de toda esta submissão silenciosa ao que se passa, ou melhor, ao que não se passa em Oliveira do Hospital.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109546990105574103?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109546990105574103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109546990105574103&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109546990105574103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109546990105574103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/09/novamente-o-boletim-e-saudade-do.html' title='Novamente o boletim e a saudade do Outono'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-112404540936703029</id><published>2005-08-14T11:49:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.526-07:00</updated><title type='text'>A desolação vista do Quénia</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/fogo3.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Sofro ao ver os socalcos negros da serra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelos combros escuros desta paisagem triste e desoladora, conduzo serpenteando a estrada que se confunde no negrume das bermas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repouso por momentos nas águas límpidas do Agroal, no esquecimento impossível de quem lá se refresca, debaixo da ponte romana quase escondida na água, embiocada no xaile negro da montanha.&lt;br /&gt;Desço até ao Vale Torno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ponho um CD de Mozart, uma sinfonia de profunda melancolia. Ouço o terceiro andamento, rápido em dó maior, grave, majestosamente grave. Paro por um instante, por necessidade, por uma lágrima, pelo som áspero e dramático da sinfonia.&lt;br /&gt;Olho o vale, o casario sobrevivente, o xisto, uma jovem sentada num alpendre que me consente desconfiada. Mais em baixo um pouco de verde, único, resistente … A sinfonia é agora em sol menor, doce, subitamente doce.&lt;br /&gt;Aumento o som do leitor. A única melodia que me apetece na desolação do meu olhar compassivo. Volto a olhar o único e sobrevivente combro verde e... Súbitamente o Quénia, o green de Windsor Golf and Country Club, os passeios de balão em Masai Mara, os leões, elefantes, leopardos e a música de Mozart que volta a ser grave, trágica, em si bemol maior.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-112404540936703029?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/112404540936703029/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=112404540936703029&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112404540936703029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112404540936703029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/08/desolao-vista-do-qunia.html' title='A desolação vista do Quénia'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-112258409262211820</id><published>2005-07-28T13:53:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.465-07:00</updated><title type='text'>Marialva</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/marialva.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Recordo a primeira frase do último post: «Escrevo porque estou aqui». O início de uma escrita exigida pelo assombro. As palavras apetecidas na necessidade da partilha, como dedos que se entrelaçam e se apertam na súbita e surpreendente contemplação. Estou novamente num desses lugares. José Saramago escreveu que esta maravilha é um «ponto mediano entre o que passou e o que virá». Nessa mediania do que somos hoje, distantes das evocações sublimes de outrora, estas ruínas sugerem-me destroços de uma esperança há muito perdida, mas subitamente recuperada na contemplação de Marialva.&lt;br /&gt;Uma cidadela de lendas e paixões, muito anterior a Portugal mas também local e testemunha da sua defesa brava e intransigente.&lt;br /&gt;Apesar da fantasia lendária que povoa o imaginário histórico deste maravilhoso promontório, nem por um momento me apetece duvidar que o seu nome resultou de uma história de amor entre uma formosa moura e um garboso cavaleiro. A elegância e a sobranceria do castelejo, recolhido pelo azul diáfano do horizonte, as pedras nobres e granulares no papel de zelosas camareiras, fazem deste retiro uma bela alcova para qualquer marialva apaixonado.&lt;br /&gt;Enquanto percorro o sinuoso caminho até ao cimo das ruínas, ladeado pelos muros altos de granito, ocorrem-me pensamentos sobre o sentido actual da defesa da identidade cultural deste país e quem sabe, a imagem plástica destas pedras habilmente sobrepostas que o tempo e os líquenes coloriram, me aconselhou a olhar estes sinais da história pela perspectiva da lenda. &lt;br /&gt;Algo me fez sentir que estes lugares de ontem deveriam ser mantidos pela fantasia do conto. Talvez alivie a amarga sensação do hiato sugerido nas palavras de Saramago.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-112258409262211820?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/112258409262211820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=112258409262211820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112258409262211820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/112258409262211820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/07/marialva.html' title='Marialva'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111963934181817426</id><published>2005-06-24T11:54:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.405-07:00</updated><title type='text'>Ruínas em tons que descansam</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/ruina.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Escrevo porque estou aqui.&lt;br /&gt;Envolto em granito com um cheiro a antes de mim e adornos argilosos em tons que descansam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contornam pedras e seguram o passado com ferro envelhecido igual ao da cadeira que me suporta, em tiras entrelaçadas como as janelas de uma prisão medieval.&lt;br /&gt;Olho o chão novo da esplanada, bujardado mas sem a paciência de outros tempos.&lt;br /&gt;D. João I, implacável nunca perdoou o Alcaide de Castelo Rodrigo por ter tomado o partido de Castela. A crise dinástica de 1383 deixou marcas por aqui. Hoje seria a punição que estaria invertida e não as armas reais do brasão.&lt;br /&gt;Voltai Conde de Andeiro e Dª. Beatriz, que isto por aqui não está fácil.&lt;br /&gt;Ao contrário dos tempos da sucessão de D. Fernando paira hoje no horizonte a indiferença ou mesmo o desejo da invasão.&lt;br /&gt;Uma pequena fonte de granito em forma de pódio descendente jorra água de surpresa, por momentos, talvez Mestre de Avis se tivesse mexido no túmulo zangado com a minha traição. Distraio a incomodidade momentânea nesta escrita dolorosa, exangue na procura de contar este lugar e recordo a Rota dos Peregrinos.&lt;br /&gt;Passaram aqui os caminhantes para Compostela. Sinto-me hoje mais peregrino do que eles.&lt;br /&gt;De lá de dentro da sala vem o &lt;em&gt;Nocturno&lt;/em&gt; de Chopin.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olho o horizonte, as vinhas, o restolho, a terra lavrada, amarela, ocre, aos quadrados, casas, carros e a merda da fonte de granito que volta a distrair-me… Ia a dizer que… Falar da quietude, desta diferença silenciosa e do tal cheiro a um tempo antes de mim.&lt;br /&gt;Uma forte badalada no sino da igreja, a tal dos Frades que vieram de França. Uma só, meia de uma qualquer hora que aqui pouco importa. Pensar no tempo em Figueira é um desvario.&lt;br /&gt;Porque preciso eu deste silêncio, desta aproximação ao passado?&lt;br /&gt;Dois jovens chegaram e ficaram por pouco. Realmente o que pode atrair aqui os mais novos? Para eles a distância é maior. «Aqui não se passa nada…» ouvi-os dizer. O crepúsculo aproxima-se e o passado fica mais próximo, as lanternas de luz ambarina dão uma ajuda. Para estes jovens, este prelúdio da noite sugere outras coisas. Na sala ainda se ouve o &lt;em&gt;Nocturno&lt;/em&gt; de Chopin.&lt;br /&gt;De repente dou conta das ’corcódoas’ num canteiro mesmo ao meu lado. Era assim que em pequeno chamava à casca do pinheiro e que eu usava como material para com a ajuda de um canivete esculpir os meus barquinhos. Neste lugar de ontem, essa recordação levou-me a mão ao bolso e a alma à felicidade. Coisas minhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nove badaladas. Aquela única de há pouco era a meia das oito. Quero ir embora. Este lugar foi perdendo algum encanto. Chegaram pessoas que falam cada vez mais alto em conversas que me afastam daqui. De Salamanca, do preço do gás em Espanha, do Iva mais baixo.&lt;br /&gt;Conde de Andeiro volta que estás perdoado!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111963934181817426?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111963934181817426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111963934181817426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111963934181817426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111963934181817426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/06/runas-em-tons-que-descansam.html' title='Ruínas em tons que descansam'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111797830495278983</id><published>2005-06-05T06:30:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.345-07:00</updated><title type='text'>O Realejo e as leituras de fim-de-semana</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/realejo.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Passei por cima das medidas para combater o deficit, da polémica da acumulação de pensões e do seu peso político, dos espadas dos magistrados, do Não da França e da Holanda, e parei no realejo.&lt;br /&gt;Que bela ideia a da Margarida. Chamou-lhe ‘Bibliambule’ e é um simples carrinho que transporta pela rua, palavras que ela oferece em voz alta.&lt;br /&gt;Também lá vai o realejo evocando os músicos de rua, e esta simpática ideia de oferecer palavras, necessitou da sua manivela. A deambulação da palavra evoca o passeio ocioso dos músicos pelas vielas mais escondidas da vida.&lt;br /&gt;Uma espécie de &lt;em&gt;Barberi&lt;/em&gt; da poesia. Ao rodar a manivela ouve-se o acorde das palavras e nesta aparente alucinação quixotesca, Margarida encontrará certamente pelo caminho um ou outro Sancho Pança, mas tal como D. Quixote a sua paixão é bem maior que o medo do delírio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chamem-te louca e não te importes porque o desalinho é nos dias de hoje um sinal de inteligência.&lt;br /&gt;As palavras, Margarida, nunca são excessivas.&lt;br /&gt;Excessivo é o outro deficit.&lt;br /&gt;Não receies por isso oferecer palavras porque essa gratuitidade nunca fará aumentar a despesa. No orçamento da poesia a receita é sempre superior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Joaquim Nobre&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2005/06/05&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111797830495278983?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111797830495278983/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111797830495278983&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111797830495278983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111797830495278983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/06/o-realejo-e-as-leituras-de-fim-de.html' title='O Realejo e as leituras de fim-de-semana'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111784214961182007</id><published>2005-06-03T16:42:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.278-07:00</updated><title type='text'>O apelo da escarpa</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/escarpa.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;Percorri o caminho sinuoso com o olhar atento às minudências da flora da Serra da Estrela, na esperança de descobrir a tal planta de cinco pétalas que simboliza hoje a cidade de Seia. Por momentos julguei tê-la encontrado. Seia, onde o tempo pára e a saudade fica... recordo a frase.&lt;br /&gt;Soube mais tarde que foi retirada do contexto, numa leitura apaixonada do criativo quando procurava palavras poéticas para a terra que começou por ser dos Túrdulos. &lt;br /&gt;Agora estou aqui. Sentado em cima de Manteigas. Na algaraviada indecifrável lá em baixo o bater de uma porta, o grasno de um gaio, um latido e um choro de criança, são os sons que melhor se definem pela escarpa acima.&lt;br /&gt;O meu pé suspenso oscila por cima da vila com o mesmo tamanho das casas. Penso numa tela, numa fotografia. Seria uma excelente ajuda mais tarde, quando a minha copiosa memória corroída pela idade quisesse lembrar o momento. Mas não! Trouxe apenas a minha ‘BK 77’ e um bloco A5. Numa das folhas brancas começo a descrever o que a minha alma alcança. Aqui no Miradouro do Fragão do Corvo os meus olhos vêem as cambiantes verdes da serrania a espreguiçarem-se na lonjura desse mesmo olhar, mas o que me interessa é escrever sobre a emoção de estar aqui. Quero cá voltar pela evocação dessas palavras.&lt;br /&gt;Escrevo a emoção que sinto hoje, aqui. Este sentimento indizível duma felicidade que quase magoa, intenso mas leve para nunca ter perdido a sensação de suspensão nem o apelo da escarpa. Por baixo dos meus pés que têm o tamanho das casas de Manteigas, o terrível chamamento do despenhadeiro, num convite quase irrecusável do abismo.&lt;br /&gt;A folha onde escrevo esconde essa tentação, mas erguida na linha do meu olhar, são as casas que se escondem e o apelo da escarpa que reaparece. Agora entendo a felicidade que quase magoa e o pouco que impede o desejo. &lt;br /&gt;Porque só a escrita pode registar o que a alma vê, prefiro a escrita a tiracolo em vez da máquina fotográfica. Nenhuma foto me revelaria esta recordação. &lt;br /&gt;Mais tarde quando a idade tiver feito estragos na minha memória tirarei da gaveta estas palavras, e vou querer voltar ao Fragão do Corvo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penhas Douradas, 2005/06/01&lt;br /&gt;Joaquim Nobre&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111784214961182007?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111784214961182007/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111784214961182007&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111784214961182007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111784214961182007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/06/o-apelo-da-escarpa.html' title='O apelo da escarpa'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111713697291052862</id><published>2005-05-26T12:49:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.217-07:00</updated><title type='text'>O olhar da rã</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/ranideo.jpg" align="left" vspace="3" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;De um salto a rã coloca-se a um escasso par de metros de mim. Acho que ela me olha, sem no entanto parecer ver-me. Fica por uns instantes. Na fugacidade do momento em que afasto uma mosca, ela já lá não está. O seu mergulho no rio convoca o meu olhar. Vejo a propagação ondeante dos círculos na água e por momentos todo eu me suspendo nessa contemplação.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Penso na vacuidade literária enquanto releio o papel escrito no refúgio da tarde. Convidei a escrita para companhia e recordo o estranho declinar dessa veleidade dada a beleza inspiradora do lugar.&lt;br /&gt;Comodamente instalado na minha “Cormoura” à procura do fresco sereno das águas do Alva, na sombra da folhagem dos salgueiros e com o propósito conseguido de uma solidão desejada, tinha tudo para que a minha ‘BK 77’ deixasse na alvura do papel a mais linda narrativa do vazio. O vazio lá não existe, digo eu aqui e agora, burguesmente instalado frente ao meu PC.&lt;br /&gt;Lá não existe o vazio.&lt;br /&gt;Talvez por isso, recordo agora, a rã tivesse vindo até mim condoída pelo meu olhar perdido de sofrimento.&lt;br /&gt;Talvez por isso a grilhada dos insectos, o ruflo dos pássaros, o murmúrio do rio e das folhas, me pareçam agora resmoneios da Natureza à minha estúpida incapacidade de ver o que me está mais próximo.&lt;br /&gt;Talvez por isso a obstinação dos refúgios na procura das palavras, ou quem sabe encontrar nas palavras o mais redentor dos abrigos.&lt;br /&gt;Pois é Jean-Paul, “as coisas são inteiramente o que parecem – e por trás delas… não há nada.”. Quase me convences.&lt;br /&gt;“Exister c’est &lt;em&gt;être là&lt;/em&gt;, simplement”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111713697291052862?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111713697291052862/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111713697291052862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111713697291052862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111713697291052862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/05/o-olhar-da-r.html' title='O olhar da rã'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111636037028492219</id><published>2005-05-17T13:05:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.160-07:00</updated><title type='text'>O refúgio das palavras</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/escadas.jpg" align="left" vspace="3" /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há dias para mim que a escrita não passa de um exercício que utilizo com frequência. Deixando fluir vocábulos só com a preocupação da sua coerência semântica, escrevo tentando exprimir ideias sem destino, como se rabiscasse desenhos numa folha para arrumar o pensamento.&lt;br /&gt;Lembro-me de um dia ter ido ver o mar. O que a memória me oferece mais facilmente é o caminho pelas dunas, feito de tábuas de pinho tratadas e envelhecidas por cujas juntas crescia a erva. Cabisbaixo calcorreava o sinuoso caminho quase esquecido do mar. Sem a percepção do cheiro a maresia, aquelas ripas de madeira que rangiam sob os meus pés eram a única cumplicidade do momento. Parei no cimo da última duna, da última tábua do percurso, e já ali, imóvel frente ao imenso azul, entre o crepúsculo rosáceo do poente e a penumbra da minha alma, ouvi finalmente o marulhar das ondas, o cheiro a maresia e o sorriso surgiu após o encantamento. Nem tudo tem que fazer sentido, pensei eu. Na escrita também gosto de calcorrear as palavras sem destino. Imperceptível enquanto escrevo, ele acaba no limiar da sensação por se manifestar naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111636037028492219?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111636037028492219/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111636037028492219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111636037028492219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111636037028492219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/05/o-refgio-das-palavras.html' title='O refúgio das palavras'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-111487324245595977</id><published>2005-04-30T08:00:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:56.034-07:00</updated><title type='text'>Inquietações</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/genoma.jpg" align="left" vspace="3" /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Li algures que o conhecimento não é um bem absoluto. Concordo! Que há outras formas de existência para além das cognitivas. Concordo! Que a Ciência atingiu capacidades demiúrgicas. Inquietante! Que jeito teria dado a Hitler essa capacidade. Ter-se-iam poupado muitos judeus. Hoje a sua loucura estaria conseguida e ninguém a acharia tão tenebrosa.&lt;br /&gt;Tudo se teria transmutado pacificamente.&lt;br /&gt;Meios homens, meios máquinas…&lt;br /&gt;Defender a dignidade Humana, preservando a sua identidade, face ao perigo eminente da sua artificialização.&lt;br /&gt;Releio: meios homens meios máquinas.&lt;br /&gt;E depois?&lt;br /&gt;A meia parte máquina dava-me muito jeito. Não me cansava tanto.&lt;br /&gt;Continuo a ler: Está a nascer uma nova doutrina, depois de Hitler e depois de Francis Galton.&lt;br /&gt;Não suporto continuar com isto. Fecho a revista.&lt;br /&gt;Por momentos volto a ser eu, na essência dessa mesma identidade mas também na diversidade em que desejo existir.&lt;br /&gt;Quero continuar com os meus devaneios oníricos, com a capacidade de contemplar o “Chão do Pinheirinho” e escrever sobre isso, ser capaz de olhar a minha própria fealdade e por momentos achar formosas as mais imperfectíveis falhas.&lt;br /&gt;A propósito fiquem lá com um bocadinho de &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Albert Camus&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todos os pensamentos que renunciam à unidade exaltam a diversidade. E a diversidade é o local da arte. O único pensamento que liberta o espírito é aquele que o deixa só, certo dos seus limites e do seu fim próximo. Nenhuma doutrina o solicita. Ele espera o amadurecimento da obra e da vida. Separada dele, a primeira fará ouvir, uma vez mais, a voz levemente ensurdecida de uma alma para todo o sempre liberta da esperança. Ou nada fará ouvir, se o criador, cansado do seu jogo, pretende afastar-se. Tudo isso se equivale&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-111487324245595977?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/111487324245595977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=111487324245595977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111487324245595977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/111487324245595977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/04/inquietaes.html' title='Inquietações'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110497568944471326</id><published>2005-01-05T17:40:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.961-07:00</updated><title type='text'>A Magia Inconsciente da Memória</title><content type='html'>&lt;img hspace="15" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/siames.jpg" align="left" vspace="3" /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os óculos pendurados no pote observavam-nos lânguidos e preguiçosos, resistentes ao vazio duma noite pouco falada. No silêncio da troca de um CD, as vozes na rua, o bater de uma porta, o crepitar da lareira no compasso da nova escolha musical do Manuel e o pote que continuava a olhar-nos condoído da estranheza de nós.&lt;br /&gt;Copos partidos, deitados, virados, direitos, parados num tempo que não passa. Cristais perecíveis por distracção, mas perenes na vontade de os manter úteis à memória de tempos vividos.&lt;br /&gt;Um relógio amarelecido com arabescos que apontam sempre a mesma hora. Ao lado o pote, os óculos escuros que lhe escondem os olhos no ocre bafiento do barro velho.&lt;br /&gt;O som dedilhado da guitarra que vinha do fundo da sala, propagou um gato para junto de nós. Eriçou-se em curva contra as pernas do Manuel e perto da lareira olhou-nos esquivo e desconfiado ronronando por fim o seu consentimento.&lt;br /&gt;O sossego silencioso da noite e das palavras que não se diziam, deixavam-nos estar por estar na penúltima noite do ano.&lt;br /&gt;Havia pouco para dizer.&lt;br /&gt;O momento dissipava-se sem darmos conta do verdadeiro pretexto: A exposição do Manuel na Casa da Cultura César de Oliveira.&lt;br /&gt;As palavras que não dissemos naquela noite estavam todas nas telas, matizadas em cores indecifráveis da memória.&lt;br /&gt;Vou-me embora. Queres saber o que é que eu acho? Não pintes o bigode ao gato.&lt;br /&gt;Boa exposição Manuel.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110497568944471326?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110497568944471326/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110497568944471326&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110497568944471326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110497568944471326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2005/01/magia-inconsciente-da-memria_05.html' title='A Magia Inconsciente da Memória'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110436338282990548</id><published>2004-12-29T15:22:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.829-07:00</updated><title type='text'>26 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;em&gt;Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas ninguém diz violentas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As margens que o comprimem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[ Bertolt Brecht ]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por algum motivo, ontem ao caminhar reparei nas folhas arremessadas vorazmente pelo vento, como um colérico valsar da Natureza. A nudez dos plátanos, o cair dos seus últimos e mais resistentes atavios, os súbitos murmúrios da noite pareciam cânticos suaves e piedosos carpindo a tragédia.&lt;br /&gt;A imagem brutal de um filho roubado pelo mar apressou a caminhada. Queria fugir às ondas de comoção, aos cânticos plangentes arrastados pela catástrofe, à ópera do infortúnio, à complacência solidária e a todas as demais aliterações emergentes.&lt;br /&gt;Queria muito ouvir o som da porta fechar-se atrás de mim, na esperança que a clausura me ajudasse ao esquecimento, mas &lt;strong&gt;depois da marulhada da desgraça, permaneceu a imagem flutuante da nossa pequenez perante a vida e a Natureza mas acima de tudo o tributo que todos, mais tarde ou mais cedo, lhe devemos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110436338282990548?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110436338282990548/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110436338282990548&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110436338282990548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110436338282990548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/12/26-de-dezembro-de-2004.html' title='26 de Dezembro de 2004'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110393423086117665</id><published>2004-12-24T16:23:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.764-07:00</updated><title type='text'>25 de Dezembro de 2004</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais um pedaço de matérias vegetais transformadas num alvo disponível ao registo de coisas que não bastam ser ditas.&lt;br /&gt;Palavras tristes, desenhadas vagarosamente sobre o nascer de um novo dia, uma nova passagem no entretecer dos fios que se apertam, se entrelaçam e se apertam novamente.&lt;br /&gt;Bastava dizer que está um lindo dia.&lt;br /&gt;Bastava falar das paredes que me enclausuram numa dor inexprimível. Que o Natal é uma lâmpada pendurada por um fio, que este frio adstringente de Inverno me impede de escrever coisas que não bastam ser ditas.&lt;br /&gt;Há dois mil anos atrás, poderiam ter evitado este meu tormento, este torpor no encontrar de coisas para escrever, quando olho pela escuridão da noite a intermitência das luzes que se mostram compassivas por esta inércia.&lt;br /&gt;Culpo a Trincadeira, o Aragonês, o Alicante Bouschet e o Cabernet Sauvignon, desta minha ausência, mas a minha mão permanece sóbria e disponível para a insistente espera das palavras que não saem. Porque hoje, para além de um lindo dia, haveria mais coisas para escrever.&lt;br /&gt;Só que as solitárias luzes lá fora, emprestando adornos que se repetem, solicitam outras veleidades, não dando conta que também eu estou sozinho. Na companhia, é certo, de Vivaldi, perturbado de quando em vez pelo crepitar da lareira, do Aragonês, da Trincadeira, inebriado de solidão, longe dos rituais, dos indigentes abrindo os telejornais, da sopa dos pobres, da solidariedade representada e de outras hipocrisias.&lt;br /&gt;Vou correr as persianas.&lt;br /&gt;Não quero mais ver as luzes intermitentes e os Pais Natais pendurados nas varandas.&lt;br /&gt;Fico-me com o Aragonês, a Trincadeira, o Alicante Bouschet e o Cabernet Sauvignon, num subtil, encorpado e aveludado néctar, que me proporciona um doce desalinho.&lt;br /&gt;Que persistam as palavras que me esperam, que o que me apetece tão somente é escrever que hoje esteve um lindo dia.&lt;br /&gt;Agora vou dormir!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110393423086117665?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110393423086117665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110393423086117665&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110393423086117665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110393423086117665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/12/25-de-dezembro-de-2004.html' title='25 de Dezembro de 2004'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110324657234077235</id><published>2004-12-16T17:22:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.614-07:00</updated><title type='text'>Precisei de lá voltar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao sítio que dá sentido ao pouco que me resta e me faz sentir o que ainda sou, para além dos despojos que só aguardam o fim.&lt;br /&gt;Desta vez levei algum tempo para me distrair do olhar compassivo da natureza. O murmúrio da ribeira, o queixume das folhas, o ruflo das aves, soavam a gritos resmungados de acusações ininteligíveis. Mas ao menos ali, na quietude daquele lugar, a dor é mais suportável e a culpa torna-se redimível pela evocação da felicidade na lonjura do tempo.&lt;br /&gt;Olho-me com piedade, pelo desleixo e degradação, mas ali, no Chão do Pinheirinho consigo imaginar-me pequeno, irrequieto mas feliz. Com a agilidade para desafiar o perigo, correndo de levada pelos muros da ribeira, numa alegria esfuziante, capaz de me levar ao choro, só de o lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110324657234077235?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110324657234077235/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110324657234077235&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110324657234077235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110324657234077235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/12/precisei-de-l-voltar.html' title='Precisei de lá voltar'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110151097959258180</id><published>2004-11-26T15:12:00.001-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.543-07:00</updated><title type='text'>Palavras escritas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordo. Sento-me frente a uma janela. Na mesa um papel, uma caneta e o mesmo desejo, a mesma obstinação.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O crepúsculo dissipa-se suavemente e a natureza acorda no ressurgir das suas formas. Contornos que vão surgindo no prelúdio de um novo dia. Na neblina o bocejo difuso das árvores e ao longe, suspensas no horizonte, casas brancas denunciam vida no ondeado da serrania.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Palavras que se escolhem e se juntam para dizer a simplicidade de um olhar.&lt;br /&gt;Foi assim mais uma vez, um ritual que se repete todos os dias. Escrevo e reescrevo, purgando excessos, na procura da perfeição impossível, um exercício solitário levado até ao limiar do insuportável.&lt;br /&gt;Palavras escritas, palavras que resistem à voragem dos meus vazios, que me fazem bem mas não dizem nada, escritas simplesmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110151097959258180?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110151097959258180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110151097959258180&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110151097959258180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110151097959258180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/11/palavras-escritas.html' title='Palavras escritas'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-110099636424266472</id><published>2004-11-20T16:18:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.386-07:00</updated><title type='text'>Um dia mau</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que nós não tentamos para contornar o fim. Tentamos a diferença, a singularidade, o etéreo, até um dia a Natureza tornar estéreis essas veleidades na fugacidade dum instante, como um soco no baixo-ventre.&lt;br /&gt;Reinventamos tudo no espectro do acabamento, na angústia do aperfeiçoamento impossível.&lt;br /&gt;Na passividade quase desistente dos meus dias, o mesmo desejo patético de notoriedade: Escrevo, penso-me diferente e quase chego a acreditar nessa singularidade.&lt;br /&gt;Mas afinal quem sou? E de tudo o que sou, em que é que o sou mais? De repente pensar que há um tipo que sou eu, um rebotalho esparso e inconsequente de uma existência cheia de coisas vagas, inquieta-me.&lt;br /&gt;E nesse resgate doloroso de uma vida sem fulgurâncias, o que é que em mim acabou muito antes do meu fim? Sim… o que é que perdura para além dos ossos que me sustentam?&lt;br /&gt;Sentir-me assim, esvaindo-me no silêncio do abismo, na angústia do irrecuperável, no sopro tempestuoso da culpa, resta-me simplesmente ser. Há muito que me quedei no recosto dos meus limites, desistindo de ser mais nada para além disso.&lt;br /&gt;Amanhã volto a escrever.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-110099636424266472?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/110099636424266472/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=110099636424266472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110099636424266472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/110099636424266472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/11/um-dia-mau.html' title='Um dia mau'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109987027962980428</id><published>2004-11-07T15:30:00.000-08:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.295-07:00</updated><title type='text'>O tempo dos cabotinos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A manifesta incultura da sociedade, a apatia generalizada do momento que atravessamos, propicia o pretensiosismo.&lt;br /&gt;Poderia falar-se hoje nos tempos dos cabotinos, gente que quer aparecer, alardeando capacidades que não possui no ofício das artes, ou em veleidades mais etéreas, como seja compreender o século XXI, em palestras acreditadas por oradores convidados.&lt;br /&gt;Sendo os assuntos escolhidos, compreensivelmente inatingíveis ao nível cultural da maioria, fica a ideia insidiosa e narcísica que tais propostas e tais promotores não são mais do que barracas e feirantes numa autêntica feira de vaidades.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109987027962980428?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109987027962980428/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109987027962980428&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109987027962980428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109987027962980428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/11/o-tempo-dos-cabotinos.html' title='O tempo dos cabotinos'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109812917080525636</id><published>2004-10-18T13:52:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.223-07:00</updated><title type='text'>Expiações da memória</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No silêncio pardo da tarde só o ruflar dos pardais suspende a quietude daquele lugar. O murmúrio da água, aqui e ali desviada pelos atalhadoiros, os sulcos na ravina desenhados pela corrente, construiu ao longo dos tempos o mais encantador dos refúgios, o lugar perfeito para o que resta de mim, onde torno quando posso, mas sobretudo quando preciso.&lt;br /&gt;É ali, no bucólico Chão do Pinheirinho que a minha copiosa memória me traz uma recordação feliz de um passado distante, e me reconforta das agruras da vida: A Quiana.&lt;br /&gt;Se porventura existe em mim alguma capacidade de amar devo-a a ela.&lt;br /&gt;Tenho hoje e tê-la-ei sempre comigo, numa imagem tão viva e fielmente registada cuja revelação só fica enegrecida pelo amargo sentimento de quase nem ter dado conta da sua morte. Culpar os reveses da vida, é uma escusa inaceitável.&lt;br /&gt;Perdoa-me Quiana. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109812917080525636?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109812917080525636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109812917080525636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109812917080525636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109812917080525636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/10/expiaes-da-memria.html' title='Expiações da memória'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109692629632157165</id><published>2004-10-04T14:43:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.042-07:00</updated><title type='text'>Vodka com laranja</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fácilmente entendemos que o vocábulo &lt;em&gt;iniquidade&lt;/em&gt; é inapropriado quando falamos de favorecimentos pessoais e usamos o que é nosso. O que não é a mesma coisa quando usamos o afecto como critério e o que é de todos como meio. Aí a falta de equidade já não é só imoral como abusiva e absolutamente inadmissível.&lt;br /&gt;Refiro-me concretamente aos vergonhosos favorecimentos que resultam das relações de amizade no exercício do poder autárquico.&lt;br /&gt;É hoje mais do que nunca iniludível o expediente político de utilizar como embuste as diferenças ideológicas para esconder habilidades.&lt;br /&gt;Brindemos às velhas amizades!&lt;br /&gt;J. Nobre&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109692629632157165?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109692629632157165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109692629632157165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109692629632157165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109692629632157165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/10/vodka-com-laranja.html' title='Vodka com laranja'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109670842232936020</id><published>2004-10-02T02:12:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:54.914-07:00</updated><title type='text'>Dissertações sobre uma Agenda Cultural</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img hspace="8" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/capa.jpg" align="left" vspace="4" /&gt;Atavios gráficos em que o autor é exímio tornam este livrinho encantador. A capa, a sobriedade das cores, a subtileza das cambiantes azuladas, conferem-lhe uma leveza condizente com a ligeireza do conteúdo.&lt;br /&gt;No interessante design gráfico, impresso em papel cochet 135 gramas, ressalta o azul celestial com algumas estrelas cintilantes a despontar na indefinida linha do horizonte.&lt;br /&gt;A visão irónica e subliminar do autor está expressa na hábil escolha das cores. Para colorir o início do trimestre uma cor forte: o vermelho. A cor do sangue, da vida, simbolizando a vitalidade na expectativa do anúncio das propostas culturais, mas também a cor da vergonha, que ruboriza as faces de quem ama a cultura e a terra onde vive e se desilude pelo vazio do anunciado.&lt;br /&gt;Para Novembro e Dezembro novamente o azul. Um azul que começa forte, colorindo a esperança mas que rapidamente se matiza num azul-marinho, onde a mesma se afoga.&lt;br /&gt;Sobre o amarelo pálido, desmaiado do IOR 80 gramas que compõem o interior deste fantástico livrinho, folheiam-se as desilusões e defraudam-se as expectativas logo de início. Por baixo das cambiantes violáceas do cabeçalho, evocando as cores do Município, destaca-se o sorriso e a gravata do edil. Não é por acaso que o seu assessor de imagem lhe terá sugerido para a mão direita uma caneta branca pousada curiosamente na mesma alvura dos papéis.&lt;br /&gt;Terá sido sobre aquela secretária e num daqueles papéis brancos, que o autarca terá feito o rascunho das suas brilhantes notas editoriais, onde o próprio refere com particular destaque o Ciclo de Teatro do Outono. Numa excelente estratégia de planificação da política cultural da edilidade, as peças que darão forma ao evento, surgem referidas como a designar para que o factor surpresa lhe confira um brilho especial e &lt;em&gt;faça estalar as castanhas na boca&lt;/em&gt; dos espectadores. O mesmo fruto de cúpula esférica e espinhosa do nobre castanheiro, que o responsável pela composição do livrinho, utiliza como adorno gráfico no anúncio dos inúmeros magustos e festas da castanha, um dos principais eventos do trimestre, não esquecendo os vários torneios da sueca que proliferam por essas aldeias fora.&lt;br /&gt;Então se eu soubesse, não poderia ter tirado a minha querida Digueifel do anonimato?&lt;br /&gt;Em próximas edições da Agenda Cultural vou aceitar o desafio do Presidente. É que o bar da Associação da minha pacata aldeia é frequentado, seguramente, pelos melhores jogadores de sueca do concelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;J. Nobre &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109670842232936020?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109670842232936020/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109670842232936020&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109670842232936020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109670842232936020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/10/dissertaes-sobre-uma-agenda-cultural.html' title='Dissertações sobre uma Agenda Cultural'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109615157747711184</id><published>2004-09-25T15:32:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:51.173-07:00</updated><title type='text'>Arquivo morto</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img hspace="8" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/papel6.jpg" align="left" vspace="4" /&gt;Como em qualquer escritório existem prateleiras onde repousam os dossiers que depois passam para outros compartimentos e finalmente o arquivo morto.&lt;br /&gt;Há dias decidi arrumar o meu. Entre outras coisas acabei destruindo papeis e documentos que julguei desnecessários.&lt;br /&gt;Rasguei-os, coloquei-os num saco para a reciclagem no pressuposto de voltarem a ser novamente reutilizáveis.&lt;br /&gt;Enquanto o fazia, a minha mente ( ou a segunda, como li nas Valquírias ) viajou até ao cemitério do Alto da Conchada.&lt;br /&gt;Era o dia do funeral de um familiar, e como é hábito nestas, nem sempre tristes ocasiões, acompanhei as visitas às tumbas de outros familiares e amigos desaparecidos.&lt;br /&gt;No cemitério da Conchada, como na maior parte dos cemitérios das cidades, a urna fica a aguardar que o coveiro execute o trabalho final, ou seja, tirá-lo da prateleira para um buraco, até que um dia transite para umas exíguas gavetinhas, identificadas por números que o tempo vai tornando indecifráveis. É este o fim triste de qualquer mortal, salvo os afortunados que têm sumptuosos jazigos com inscrições esculpidas de versos encomendados.&lt;br /&gt;Mas até esses, a julgar pelo que vi, supostamente por dificuldades económicas, ou pelo resultado inapelável da acção de um executor judicial, acabam com placas a dizer «VENDE-SE».&lt;br /&gt;Consternado, e exausto na procura de uma gavetinha com ossos de um antepassado, que já poucos faziam ideia onde, dei comigo a pensar como gostaria de ser apenas um simples papel.&lt;br /&gt;Quando chegasse o fim da minha utilidade, passar-me-iam por uma daquelas máquinas que destroem em fitinhas e com alguma sorte novamente um papel branco.&lt;br /&gt;Quem sabe não teria a sorte de um dia sentir as carícias de um aparo e perpetuar a minha existência numa qualquer estante.&lt;br /&gt;Que bom seria sentir-me de quando em vez escolhido e desfolhado por um dedo indicador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;J. Nobre&lt;br /&gt;2002 &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109615157747711184?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109615157747711184/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109615157747711184&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109615157747711184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109615157747711184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/arquivo-morto.html' title='Arquivo morto'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109615287429807105</id><published>2004-09-24T16:53:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:51.233-07:00</updated><title type='text'>A paixão de Francisco</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img hspace="14" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/sortelha2.gif" align="left" vspace="8" /&gt;A felicidade é como a beleza de alguns lugares. De tão intensa e arrebatadora, só o é de facto quando não se convive com ela.&lt;br /&gt;Era este o pensamento de Rodrigo quando contemplava uma paisagem de verdes e ocres, contornada a cinza pelos muros que sustêm os socalcos de Sortelha.&lt;br /&gt;Na lassidão que o tempo assume neste lugar e inebriado de tanta beleza, o olhar de Rodrigo repousou no azul celestial.&lt;br /&gt;Sentiu Luísa aproximar-se. Deixou que pensasse não a ter visto. Um abraço e uma palavra sussurrada... Sentado na muralha do castelo, inclinou-se ligeiramente até sentir o seu corpo.&lt;br /&gt;Por momentos as palavras tornaram-se inúteis. Enleados na quietude bela e bucólica daquele retiro as emoções não se exprimiam desse modo. Bastava-lhes estar, e ter a cumplicidade do vento ao cair da tarde.&lt;br /&gt;Por uma estrada, de origem romana ladeada por casas em granito, que emergiam do chão sem quase se dar conta, ambos regressaram à casa Árabe, sítio escolhido como alcova dos seus desejos.&lt;br /&gt;Rodrigo não tirava os olhos da encantadora Luísa. Não esperava que ela falasse ou deixasse escapar um suspiro, mas aguardava um outro qualquer sinal.&lt;br /&gt;Calcorreando as calçadas romanas daquela aldeia medieval, sentia Luísa distante, inebriada pelo efeito do &lt;em&gt;chamon&lt;/em&gt; que não resistiu em experimentar. Consentiu que lhe percorresse as linhas do seu corpo belo e sensual, com as mãos, com os olhos...&lt;br /&gt;Reparou no sorriso de Luísa ao entrar na porta da casinha. No umbral estava cinzelado 1373. Um olhar contemplativo e enigmático... Provavelmente estaria a questionar-se das razões que a trouxeram ali. Um lugar inóspito e arrebatador, cheio de referências históricas e paisagens deslumbrantes mas tão distantes de Lisboa.&lt;br /&gt;Que razão teria feito Luisa consenti-lo?... Os seus belos vinte e dois anos, ávidos de vida e exaltações, sugeriam-lhe essa inquietante questão.&lt;br /&gt;Apesar de Luísa oscilar entre o carinho e a indiferença, entre a oferta e a recusa, Rodrigo desejava-a cada vez mais, sobretudo quando se mostrava distante e inatingível.&lt;br /&gt;Entraram na « &lt;em&gt;nossa casita&lt;/em&gt; » como ela lhe chamava. O deslumbramento era visível nos seus olhos quando observava e tocava o atavio ancestral espalhado pela casa.&lt;br /&gt;Tinham acabado de fechar a porta, a pouca luz que trespassava a renda das cortinas de linho, levou-o a rodar uma pedra mais saliente que a intuição lhe fez julgar tratar-se de um interruptor.&lt;br /&gt;De repente sem saber de onde, ténues raios de luz incidiam sobre uma espécie de toga em tons arroxeados, que tinha no centro, bordada a cruz da Ordem dos Templários.&lt;br /&gt;Luísa deu conta do fascínio que essa visão provocou em Rodrigo e interpôs-se entre ele e a toga, como se quisesse tornar-se o único motivo dos seus deslumbramentos.&lt;br /&gt;O seu corpo insinuado pela luz, na súbita transparência do vestido, faziam crescer o desejo. Amaram-se por uma noite.&lt;br /&gt;Sortelha tornou-se para Rodrigo numa das suas grandes paixões. Talvez a mais perene.&lt;br /&gt;Capaz de inventar qualquer Luisa nos seus devaneios oníricos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;J.Nobre.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109615287429807105?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109615287429807105/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109615287429807105&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109615287429807105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109615287429807105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/paixo-de-francisco.html' title='A paixão de Francisco'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109580029318239654</id><published>2004-09-21T13:57:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:51.057-07:00</updated><title type='text'>O Ensaio do autarca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A única mesa não preparada foi curiosamente a escolhida pelo homem que acabava de entrar no restaurante. Pelo porte, pela voz altiva, pelos gestos de veneração dos presentes tratava-se certamente de alguém muito importante nesta terra que o meu amigo António visitava pela primeira vez.&lt;br /&gt;Perante o olhar perplexo do meu convidado, o presumível notável, ele próprio, com as suas próprias mãos, pôs a mesa. Um gesto de grande humildade que não deixou ninguém indiferente.&lt;br /&gt;Revelei ao António a verdadeira identidade da personagem. O seu sorriso desdenhoso revelava ser profundo conhecedor da essência das atitudes dos políticos, habilidosos no culto da personalidade conveniente.&lt;br /&gt;Entendeu rapidamente o motivo da escolha daquela mesa. Tornou-se por momentos num excelente elemento cenográfico. Aquela demonstração de humildade não era mais do que um ensaio na arte do fingimento, um entre muitos outros que se seguiriam para recolocar uma peça em cena.&lt;br /&gt;A cerca de um ano da estreia os ensaios tinham começado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109580029318239654?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109580029318239654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109580029318239654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109580029318239654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109580029318239654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/o-ensaio-do-autarca.html' title='O Ensaio do autarca'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109546790042280702</id><published>2004-09-18T17:35:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:50.871-07:00</updated><title type='text'>Vamos requalificar a Digueifel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma simples e pacata aldeia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emerge na sua simplicidade uma capela do século XVIII, única e inteira reminiscência do passado, mas que nesta pequena aldeia se assume como um anacronismo dissonante perante um aglomerado incaracterístico de casas. Um candeeiro de luz amarela de baixa intensidade torna o largo da capela ainda mais anacrónico acentuando essa dissonância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem perto, no mesmo largo, uma fonte centenária desvalorizada, uma frondosa árvore assassinada pelo cimento, ao lado de outra sobrevivente que chora agora a sua morte. Taparam-lhe a vida com bancos circulares que consentem os rabos dos censores da vida alheia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Homens que falam do tempo, das pessoas, do nada que preenche os seus dias, dos resíduos domésticos despejados nas valetas destinadas à drenagem das águas pluviais, da ribeira conspurcada transformada em defecador público, dos terrenos abandonados que há muito se tornaram em latrinas privadas, das famílias que se travam de razões em questiúnculas provocadas por uma sarjeta ostensivamente obstruída.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é uma simples aldeia do concelho de Oliveira do Hospital. Sem peso eleitoral como tantas outras. Onde a insatisfação popular se resolve com visitas fugazes e sorridentes dos autarcas incompetentes, ubíquos e habilidosos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso de assegurar às povoações as condições mínimas de higiene e salubridade é um conceito demasiado urbano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tratem vocês disso&lt;/em&gt; respondeu o edil ao obstrutor da sarjeta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É o que o tio António faz todos os dias à mesma hora quando se dirige à calhada e evacua os excedentes do que o mantém vivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que é que eu posso fazer? Aquele pedacinho de terra do meu quintal já é seu por uso capeão. Vou eu agora contrariar hábitos milenares de vida?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saneamento, saúde pública... &lt;em&gt;Tratem vocês disso&lt;/em&gt;, disse o edil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muito já foi feito. Então e aquele candeeiro oitocentista, só visto nas mais belas e nobres vilas deste País? Nestes tempos da requalificação vamos mas é requalificar a Digueifel. O Candeeiro já lá está. Tem que se começar por algum lado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os esgotos o saneamento, a higiene pública, isso pode esperar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada como um adorno ou a poesia para apaziguar as inquietações destes pedantes visionários que invadiram as nossas aldeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver em certa aldeia pobrezinha&lt;br /&gt;Longe dos homens, longe da Cidade&lt;br /&gt;Levantar cedo e logo manhãzinha&lt;br /&gt;Ir ao cantar do galo até à herdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mourejar todo o dia e à tardinha&lt;br /&gt;Sem gestos de etiqueta ou de vaidade&lt;br /&gt;Subir ao monte, entrar na capelinha&lt;br /&gt;E rezar à Senhora da Piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ter mais sonhos! Não ter um desejo!&lt;br /&gt;Amar as flores, o Céu, amar a Terra&lt;br /&gt;Do Sol, no poente receber o beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa paz divina, Sacrossanta,&lt;br /&gt;Ter como amigo um belo cão da Serra&lt;br /&gt;Por confidente...uma cabritinha branca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(«O Meu Sonho» de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Inácia Cid Teles&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109546790042280702?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109546790042280702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109546790042280702&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109546790042280702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109546790042280702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/vamos-requalificar-digueifel.html' title='Vamos requalificar a Digueifel'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109580794695927648</id><published>2004-09-18T16:03:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:51.113-07:00</updated><title type='text'>Plágio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Francisco estava cansado de fazer o papel de barata tonta, perdido em porquês, em justificações, mas sobretudo farto de representar. Queria tão simplesmente ser ele próprio, egoisticamente assim, morrer e continuar vivo o suficiente até obter algumas certezas. Esclarecer algumas dúvidas que lhe tiravam o sono, dizia ele.&lt;br /&gt;E foi justamente a satisfação da sua curiosidade a causa de um dos maiores embaraços da noite.&lt;br /&gt;A Isabel, sem nunca ter demonstrado qualquer jeito para jogos de pontaria, de um só arremesso conseguiu enfiar-lhe o líquido pela abertura da camisa, como sendo a mais adequada resposta a tão insultuosas dúvidas.&lt;br /&gt;Enquanto solteiros bastar-lhe-ia algum do humor que lhe era habitual, mas na qualidade de casada e rodeada de quem estava teria de ser contundente, para que não restassem dúvidas acerca da sua irrepreensível conduta. Deixou no entanto bem claro a todos os comensais, que tal probidade não resultava por merecimento do seu companheiro.&lt;br /&gt;Enfim, um lamentável e sórdido incidente que apesar de tudo não conseguiu estragar o repasto. Inebriados que todos estavam daquele delicioso néctar chamado &lt;em&gt;Monte Velho&lt;/em&gt;, no dia seguinte tudo seria desculpável.&lt;br /&gt;Falava-se ao jantar sobre Oliveira do Hospital, ou alguém se lembrou de o fazer para amenizar o desagradável da situação, com o natural pretexto de justificar à Susana as diferenças desta cidade do interior que tinha tanto de soberba como de ignorante. Susana com ironia acutilante, rapidamente desmascarou o plágio do Francisco, referindo que Virgílio Ferreira tinha escrito exactamente o mesmo sobre Évora na &lt;em&gt;Aparição&lt;/em&gt; “&lt;em&gt;cidade absurda e reaccionária, empanturrada de ignorância e soberba&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Francisco tentou salvar-se dizendo que não tinha lido o livro e como a mentira tem perna curta de imediato se auto-denunciou. Noutra alusão ao livro de Virgílio Ferreira a derrota final surgiu na resposta à pergunta de Susana acerca do máximo de porcos que um Oliveirense poderia ter.&lt;br /&gt;A pergunta insidiosa e a risada geral irritaram o Francisco. No rubor da vergonha, as migas de bacalhau, a tigelada e sobretudo o &lt;em&gt;Monte Velho&lt;/em&gt;, foram as únicas razões que o detiveram.&lt;br /&gt;A ideia sobre Oliveira até era verdadeira&lt;br /&gt;O que ele não tinha era o talento de Virgílio Ferreira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109580794695927648?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109580794695927648/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109580794695927648&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109580794695927648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109580794695927648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/plgio.html' title='Plágio'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109547126115804685</id><published>2004-09-16T18:15:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:51.001-07:00</updated><title type='text'>Atalhos</title><content type='html'>&lt;img hspace="8" src="http://www.oliveiradohospital.com/blog/inquietude.jpg" align="left" vspace="4" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;Luto todos os dias contra a vontade de me ir embora.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqueles momentos de paz e tranquilidade que imagino num lugar distante, parecem-me sempre impossíveis quando pesados os prós e os contras, como numa balança na qual um dos pratos tem a fuga e outro os valores éticos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ponteiro aponta o meio onde não está a virtude. Um ponto zero no seu lugar. Recomeçar o percurso depois da escolha errada. Depois dos atalhos trocar o incerto pelo certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje poderá ser o último dia do príncipio da minha vida. Ou melhor da primeira parte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como quem vai fumar um cigarro no intervalo de um filme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Momento zero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez ainda seja possível. Fazer um 'scandisk',escolher os 'files' que não interessam e mandar tudo para a 'reciclagem'. Revê-los na esperança de alguma coisa que ainda valha a pena e apagar o que não interessa num 'delete' definitivo e irreversível. Talvez...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta convulsão que me assola a cabeça olho súbitamente para a minha mão e reparo que ainda me falta uma passa das doze. Um ritual patético que se faz todos os anos. Não me lembro que onze desejos eu pedi.Provávelmente nenhum.Sobrou uma. Nunca me perdoaria não cumprir uma promessa. Seria aliás impossível.De repente dou conta que mesmo no pressuposto do tal 'delete', haveria afinal um ficheiro inacessível. Um bip estridente e a mensagem de 'access denight'. Um ficheiro que guardava, solidariedade, paixão, amizade, livros, lágrimas, sofrimento, arrebatamentos, sei lá o que mais ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez não queira que seja possível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Coloco lentamente a última passa na boca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podia ter passado melhor o ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109547126115804685?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109547126115804685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109547126115804685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109547126115804685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109547126115804685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/09/atalhos.html' title='Atalhos'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8371059.post-109812867496435148</id><published>2004-08-18T13:39:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T11:45:55.141-07:00</updated><title type='text'>Recordação de um Natal</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A solidão da escrita é uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou se esfarela, exangue de procurar o que escrever&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabo de chegar a casa depois de quatro dias em Coimbra. Foi Natal e quase nem dei por isso. Guardei o carro na garagem silenciosamente. Não desejava dar quaisquer sinais da minha chegada. Ouvi alguém a descer as escadas, parei, fiquei imóvel por uns instantes, sustive a respiração até ter a certeza desse alguém ter saído pela porta da frente. Evitei com esta atitude aqueles clichés habituais (... Como está? Então esse Natal, a Família?..) Vinha cansado dessas formalidades. A susceptibilidade da tia Fernanda, as aventuras inverosímeis e rocambolescas do António, os queixumes do Germano sobre o emprego e a falta de tempo para a pintura, a tia Rita muito fragilizada, mas muito doce, desalinhava num cenário de conversas rebuscadas pelo insucesso das anteriores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A setenta quilómetros de distância, tudo se torna mais claro. Um arejo de solidão deixa-me finalmente respirar&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;É sempre necessária uma separação das pessoas que rodeiam aquele que escreve. É uma solidão. É a solidão do autor, a da escrita. Essa solidão real do corpo torna-se outra, inviolável, a da escrita.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É por estas e por outras que eu amo tanto as tuas palavras Marguerite. Solidão... Nada sei fazer sem ela. No meu imaginário de juventude Arganil é incontornável. Foi o período mais feliz da minha vida. Quase um quarto de século volvido o que mais recordo é a subida até ao monte, os passeios solitários, o fascínio pelo silêncio, pelo inóspito, que me proporcionavam paz e tranquilidade. Agora entendo porquê... Entro em casa e por uns instantes fico parado, pouso as poucas coisas que trazia comigo no hall de entrada e observo. Como está vazia, como se tornam insignificantes os adereços, os quadros, a mobília. Estas coisas só se tornam no que são, associadas às pessoas que as escolhem. A casa vazia retira-lhes todo o sentido. E a mim pouco me dizem, porque poucas são as que eu escolhi. Excepto três quadros que eu pintei, sendo que dois, foram generosamente pendurados na parede. Não mereciam tal exposição, a não ser pelo facto de pelo menos terem sido pintados por mim, único elogio que de alguém, até hoje tiveram. Entro no meu exíguo escritório, pequeno mas enorme no encanto dos momentos que me proporciona. E aqui tudo faz sentido. Os livros, a mobília, os acessórios e claro o computador. A minha esplanada para o Mundo. Aqui tomo um copo com os amigos, partilho palavras com sentido, sem barreiras nem espartilhos. Há espaço para todos sem ninguém precisar de perguntar:..Desculpe? Posso? Está ocupada? Aqui há sempre cadeiras de sobra. Aqui a solidão torna-se ambígua. Aqui estou só e acompanhado, amo sem conhecer, sofro sem dor, sou solidário e distante. Porque tudo é virtual. Docemente virtual, porque se o não fosse perderia o seu encanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida realmente vivida tem o condão de tudo estragar. Como o Natal...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A tradição já não é o que era!....&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8371059-109812867496435148?l=quiana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quiana.blogspot.com/feeds/109812867496435148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8371059&amp;postID=109812867496435148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109812867496435148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8371059/posts/default/109812867496435148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quiana.blogspot.com/2004/08/recordao-de-um-natal.html' title='Recordação de um Natal'/><author><name>Joaquim Nobre</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16667308189415000758</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='19' src='http://www.oliveiradohospital.com/images/quim2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
